Blogosfera - Mídia e Política na rede
   Seguro-bandalheira...

A Folha de São Paulo de hoje noticia que dirigentes de empresas estatais de São Paulo estão ganhando um item inusitado como vantagem do cargo: um seguro para cobrir eventuais indenizações decorrentes de irregularidades cometidas no exercício da função.

Em outras palavras: um seguro-bandalheira.

O seguro cobre indenizações decorrentes de condenações judiciais por contratos lesivos, danos ambientais e até assédio moral e sexual. Em suma, o cidadão pode pintar e bordar no exercício do cargo, que não precisará meter a mão no bolso para devolver o dinheiro: a seguradora cobre o prejuízo.

Com um detalhe: os seguros são pagos pelas próprias empresas públicas contratantes. Se o diretor do Metrô de SP for condenado por desvio de verba, o seguro pago pelo próprio governo estadual irá cobrir o rombo.

Ou seja, o próprio governo paga o prejuízo se um diretor de estatal roubar dinheiro público.

É o suco dos sucos, convenhamos. Roubar dos cofres públicos e nem preocupar-se em devolver o dinheiro, tudo garantido como benefício do cargo...

A notícia completa você lê aqui (para assinantes do jornal), ou lê mais sobre o assunto aqui, no blog do Noblat.



Escrito por Alan Souza às 13h58
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   Esse debate é importante!

O Governo Federal resolveu passar da palavra à ação, no caso da criminalidade crescente no Rio de Janeiro. O principal mote é o aumento da pena para os grandes traficantes, com redução do rigor para com os pequenos traficantes.

Vale lembrar que o consumidor já não é mais penalizado com a pena de prisão, de acordo com o art. 28 da Lei nº 11.343, de 23 de agosto de 2006.

O blog do jornalista Alon Feuerwerker levanta uma argumentação interessante nesse debate:

"(...) O Ministério da Justiça propõe endurecer a lei para punir os grandes traficantes, afrouxando simultaneamente as penalidades aplicadas aos pequenos.

A ideia parece teoricamente razoável, mas embute um conceito que merece mais debate: será possível combater o tráfico de drogas feito em grande escala sem reprimir também, ainda que em grau distinto, o vendedor na ponta e o consumidor?

Até porque se consumir drogas é tratado condescendentemente, e se o varejo nessa atividade deve ser visto com leniência, por que então punir os que se dedicam ao comércio no atacado? Por causa da escala? Do volume? Mas qual é o limite exato que distingue o 'pequeno' do 'grande' traficante?"

Você pode ver o artigo completo clicando aqui.



Escrito por Alan Souza às 18h22
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   Virou boteco...

Que o Senado brasileiro é a Casa da Mãe Joana nós já sabemos há muito tempo. É um território onde a lei não entra e todo mundo faz o que quer, como comprovam as seguidas notícias na mídia sobre o descalabro administrativo da Casa e os inúmeros senadores que frequentam a Justiça na condição de réus, além das discussões rampeiras que por vezes lá acontecem, como o episódio em que Tasso Jereissati e Renan Calheiros por pouco não vão aos tapas, depois de se tratarem como moleques de rua.

Mas até agora a coisa não havia descambado pra birosca total, pra perda de compostura geral e irrestrita, como anota o repórter Josias de Souza, em seu blog. Clicando aqui você vê que vão se tornando comuns na boca dos senadores manifestações que estamos acostumados a ver apenas nas biroscas de terceira categoria. Nada mais apropriado para a imagem que o próprio Senado cavou avidamente na mídia...



Escrito por Alan Souza às 07h56
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   Baixou a Mãe Dinah no Blogosfera!

Querem uma previsão de graça? Pois vou dar uma pra vocês: daqui a algumas semanas não ouviremos falar em guerra de quadrilhas e mortes no Rio de Janeiro.

Os cariocas estarão convencidos novamente de que vivem no Paraíso na Terra. Que não há melhor cidade na América do Sul e mesmo no Mundo.

Tem sido assim a vida inteira, desde que me entendo por gente. Quando eu era criança (há uns 30 anos...), a gente já ouvia e fazia piadinhas sobre a violência e os assaltos no Rio de Janeiro.

Em 1º de junho de 1988 a edição da revista Veja mostrava os chefões do tráficon na favela da Rocinha exibindo-se com suas armas de guerra. O então prefeito Saturnino Braga e o governador Moreira Franco eximiam-se de suas responsabilidades, usando a mesmíssima frase: "não é comigo". Há 21 anos atrás Moreira Franco tirava o peso de suas costas e da consciência usando o mesmo discurso que já foi feito por Anthony Garotinho e atualmente por Sérgio Cabral: "o tráfico de drogas é um crime da área federal". E ponto final, nada tenho a ver com isso e estamos conversados!

Nessa época o carioca já tapava o sol com a peneira. O discurso preferido era de que o crime, o tráfico e o perigo só existiam nas favelas e subúrbios. Enquanto Copacabana, Ipanema e Leblon e a Barra da Tijuca estivessem em segurança, estava tudo bem. Bastava botar a culpa das más notícias nas favelas e jogar a responsabilidade pro Governo Federal.

Na edição de 13 de novembro de 1996 a revista Veja relatava que naquele ano as balas perdidas já haviam produzido 62 mortes e transformado o Rio numa "praça de guerra". Com o raio de fogo quilométrico de fuzis como AR-15 e AK-47, Copacabana e Ipanema já estavam ao alcance dos tiros a partir dos muitos morros circunvizinhos. O discurso dos governos estaduais não mudara em nada. A culpa continuava sendo do Governo Federal.

O problema do Rio, portanto, é que uma boa parcela do povo faz de conta que está tudo bem e que vive no Paraíso. Isso se comprova em três traços incorporados em maior ou menor grau na sociedade e cultura locais, a saber:

1) A glamurização da malandragem. Volta e meia artistas, jogadores de futebol e políticos são flagrados em amizade íntima com traficantes e bandidos, e isso não choca ninguém e nem merece maior repreensão da sociedade e da mídia. Quando isso ocorre os envolvidos limitam-se a dar desculpas esfarrapadas, e fica-se por isso mesmo.

Junte-se a isso a insistente defesa dos traficantes e milicianos como benfeitores das comunidades, que em alguns casos inclusive desemboca na eleição dos candidatos apoiados pela bandidagem, como os vereadores Nadinho de Rio das Pedras e Claudinho da Academia e o deputado estadual Jorge Babú; as garotas de classe média alta da Zona Sul que adoram namorar traficantes; e a excitação de jovens estudantes quando sobem o morro para comprar droga, alguns muito orgulhosos de serem tratados com intimidade pelos chefes do tráfico. Esse é o retrato do crime que vira charme...

2) A aceitação da droga aliada à negação de que o consumo alimenta o tráfico. Fale isso a um carioca e você está se arriscando a apanhar. É sério. O carioca jura que o consumo não alimenta o tráfico. Na cabeça da população local, as lojas de máquina de datilografia sumiram num passe de mágica, e não porque a clientela escasseou...

3) A leniência com os governantes ineptos é o terceiro traço do faz-de-conta. Governante após governante, todos adotando o discurso do "não é problema meu", a população vê o Estado esfarelar-se e continua elegendo governantes como quem elege parceiros de cerveja no bar. Garotinho e Cesar Maia, respectivamente governador e prefeito comédias, são um bom exemplo disso.

Enquanto os cariocas (e seus governantes) sentirem-se à vontade para colocar a culpa em alguém que não seja eles mesmos, está ótimo. Ele segue em paz com sua consciência e com a guerra civil comendo ao seu lado...

O ideal mesmo seria cobrar a ação dos governantes, rejeitando o discurso fácil do "não é problema meu". Repudiar o bandido e tratá-lo como o cancro que ele representa na sociedade. E aceitar que o caminho mais curto pra matar o tráfico de inanição é fumar menos, cheirar menos e se picar menos...

*O tema deste post foi sugerido pelo nosso leitor Ricardo Wagner. As opiniões expressas, entretanto, são de inteira responsabilidade do Blogosfera.



Escrito por Alan Souza às 13h08
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   Falando em inconveniências...

E a gripe suína, hein?

Alguém sabe por onde anda?

Os fabricantes de máscaras e de álcool gel querem encontrá-la para agradecer a forcinha nos negócios.

A Oposição (que coloca no Governo até a culpa de chover ou estiar...) e a mídia agradecem também. Rendeu muito noticiário fajuto, escandaloso e alarmista durante semanas... Tudo que eles querem para vender...



Escrito por Alan Souza às 13h27
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   Uma verdade inconveniente...

Toda vez que o narcotráfico promove uma explosão de violência no Rio de Janeiro duas coisas que me irritam muito acontecem: primeiro são aquelas ridículas manifestações de ONG's e protestos pela paz em Copacabana. Algo que não serve pra absolutamente nada, a não ser render foto em jornal.

Em segundo: reabre-se a maçante discussão sobre a responsabilidade do consumidor no narcotráfico.

É lógico que se as pessoas fumassem menos, cheirassem menos e se picassem menos o narcotráfico não teria o poder que tem hoje.

Mas vá dizer isso a um carioca. É garantia de discussão na certa! O carioca insiste que o consumo não tem nada a ver com tráfico, por mais irracional que isso possa parecer. Você conhece alguima loja especializada em máquinas de datilografia ou em TV preto e branco? Não, mas conhece inúmeras lojas especializadas em informática.

É a lei mais velha do mercado: sem consumidor o produto não sobrevive. Mas o carioca quer ignorar isso e colocar a culpa (num discurso muito útil pros omissos Governos Estaduais) no Governo Federal e cobrar o papel da Polícia Federal no combate ao narcotráfico, policiando fronteiras e portos.

Até parece que a lógica é inversa: existe narcotráfico e consumo porque o "produto" é abundante... Ou seja, as pessoas fumam e cheiram porque não tão fazendo nada mesmo e o "produto" está bem alí na esquina... Já que estamos de bobeira e tem, né?, vamos cheirar e fumar um pouqinho...

Pensar assim é muito bom - para o narcotráfico e para os policiais corruptos, que garantem o abastecimento das favelas, associados ao tráfico. Se não houvesse clientela o movimento acabava. Alguém duvida? Então pense no seguinte: como foi que Al Capone e outros gangstêres enriqueceram durante a Lei Seca nos EUA?

Foi vendendo bebida ilegal aos consumidores ávidos, ou foi vendendo catecismos?



Escrito por Alan Souza às 13h15
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