A História do MST - Parte IV

As Origens do MST – O Futuro do Movimento

 

 

Em 18 de julho deste ano o jornalista Ruy Fabiano, escrevendo em sua coluna semanal publicada no blog do Noblat, publicou um artigo intitulado Se acuado, Lula porá seu bloco na rua. No artigo, que você pode ler na íntegra aqui, Ruy relata um episódio preocupante: em 2006, quando a OAB anunciou que estudaria um pedido de impeachment do Presidente da República, Lula teria mandado um recado ao então presidente da Ordem, Roberto Busato: se a OAB aprovasse a iniciativa e a encaminhasse ao Parlamento, Lula poria seu "bloco" na rua. "Bloco" pode ser traduzido como os movimentos sociais tradicionalmente aliados do PT, entre eles a UNE, a CUT e, claro, o MST.

 

Dias depois do recado dado, o MLST invadiu as dependências da Câmara dos Deputados e promoveu um quebra-quebra que resultou em 41 feridos. Ninguém foi condenado pela arruaça. O MLST, uma dissidência do MST, como vimos, é liderado por Bruno Maranhão, que à época era membro da Executiva Nacional do PT e, segundo a edição de 09/06/2006 da revista Época, já foi recebido duas vezes por Lula no Palácio do Planalto, tendo inclusive hospedado-se uma vez na Granja do Torto.

 

O MST vive hoje uma crise, como vimos no último artigo sobre o movimento que publicamos aqui. A saída para essa crise não parece simples, eis que ela é derivada dos próprios rumos a que o movimento se propôs. O artigo de Ruy Fabiano (cujas informações nunca foram contestadas nem pela OAB e nem pelo Planalto) mostra um componente novo da crise: o rótulo de movimento “chapa-branca” que se atribui - ainda que sem muita propriedade - ao MST. E que mostra claramente a perda de identidade e de rumo do movimento.

 

Caminhando sobre as ideias que tem hoje, o MST não avança internamente, nem conquista a simpatia popular (simpatia essa que foi essencial para que Lula se elegesse presidente). A ideologia do movimento hoje não o fará avançar na proposta de reforma agrária – em suma, o movimento não tem mais capacidade alguma de atingir aquele que seria seu pressuposto, o motivo de sua fundação e existência, e que foi abandonado pelo próprio MST.

 

Um movimento composto por 130 mil pessoas, de ideologia maoísta e sem rumo, é algo realmente preocupante. Ainda mais quando esse movimento está fracionado e suas lideranças perderam o controle da massa. Basta que uma parcela desse movimento decida avançar na proposta maoísta e passe a praticar a guerrilha aberta, para que o Brasil tenha um problema da proporção das FARC, um exército guerrilheiro que, com um contingente de menos de 8 mil combatentes (não chega a ser 10% do MST) controlam 20% do território da Colômbia.

 

Mais preocupante ainda é pensar que, na eventual eleição de um presidente da Oposição no ano de 2010, o MST poderá passar a uma postura de confronto com o Governo Federal. Essa postura poderia se traduzir num aumento exponencial do ritmo de invasões de terra, como também de invasões e ocupações de prédios públicos – com as inevitáveis perdas do controle da massa e depredações.

 

Na hipótese contrária (eleição da candidata da Situação, a ministra Dilma Roussef), o movimento continuará a patinar como hoje, sem cumprir (ou buscar) sua meta, promovendo esporadicamente ações violentas e ilegais. Em suma, manterá a postura atual, sem avanços ou retrocessos.

 

Em todos os três cenários aqui analisados, a reação que o movimento irá enfrentar é a mesma, que variará apenas nas suas proporções: ataques da mídia, rejeição do povo e cobrança da população por uma atitude das autoridades, notadamente do Judiciário.

 

Dessa forma, um dos problemas cruciais do Brasil, que é a reforma agrária, permanecerá sem solução. De um lado tratado com a mesma indiferença burocrática de décadas pelo Governo, sem avanços efetivos e sem propostas definitivas. E de outro sem um movimento social coeso e que se torne legítimo e legitimado por suas ações.

 

O futuro, portanto, não reserva nenhuma melhoria na situação. Ao contrário...