Você imagina o caos que estaria no Brasil, se já existissem 11 milhões de doentes e mais de 1300 mortes, por conta da gripe suína?
A imprensa estaria noticiando o caos total. As ruas estariam vazias, repartições e escolas fechadas, o comércio à beira da falência. Certamente algum líder religioso já teria anunciado o fim dos tempos. Muitos estariam acusando o Governo de omissão, ocorreriam invasões de hospitais públicos em busca dos antibióticos específicos, enfim: loucura total.
Mas... esse é o quadro que já temos no Brasil de hoje!
Segundo dados do Ministério da Saúde, o Brasil já registrou 11 milhões de casos e mais de 1300 mortes - de gripe comum.
Quer mais? Do início do ano até agora, apenas na Bahia já se registraram mais de 92 mil casos de dengue (é isso mesmo, eu não escrevi errado: 92 mil), com 55 mortes. Você já imaginou como o Brasil estaria apavorado se já houvesse registro desses números para a gripe suína?
A gripe comum é mais letal, mais facilmente transmissível e mais resistente do que a gripe suína. O CDC, órgão central de saúde dos EUA, estimou mais de 1 milhão de casos de gripe suína em seu território, com 127 mortes. O índice de letalidade é inferior a 0,2%. Em nenhum lugar do mundo a letalidade da gripe suína ultrapassou 2%. A da gripe comum chega a 3,5%.
Michael Jackson foi um mito da minha geração. Criador de passos de dança que insistentemente ensaiávamos em casa, pra dançar nas festinhas, autor de megasucessos, especialista em dançar cantando e cantar dançando, ele foi uma lenda viva. Até mesmo suas loucuras, como o processo de embranquecimento e a deformação à base de cirurgias plásticas, e seus propalados malfeitos, como as acusações de pedofilia, contribuiram para torná-lo um capítulo à parte na história da humanidade.
Uma das revoluções que ele promoveu foi no universo dos videoclipes. Seu estrondoso sucesso Thriller mudou a linguagem dos clipes musicais. Dirigido por John Landis (Os Irmãos Cara de Pau, Um Lobisomem Americano em Londres), estreou em 02 de dezembro de 1983 e tinha quase 14 minutos de duração - uma eternidade pros clipes da época. Inovou ao contar uma estória e inserir a música no meio, e também ao "quebrar" a música para inserir uma narrativa.
Landis dirigiria ainda Black or White, outro clipe que foi inovador - foi o primeiro a usar o programa de computador Morph, responsável pelos efeitos do filme O Exterminador do Futuro 2, e que gerou uma cena marcante, na qual várias pessoas iam se transformando em outras, numa variação de raças e cores que buscava ilustrar o mote e refrão da música (don't matter if you're black or white - não importa se você é branco ou negro). Era uma resposta de Michael aos que o acusavam de estar renegando sua raça.
Eu não conhecia o vídeo abaixo, que já rola no YouTube há um ano. 1500 detentos da prisão de Cebu, nas Filipinas, fizeram uma apresentação ao som de Thriller, e eles mandaram muito bem. Destaque pro coroa que interpreta Michael Jackson (ele dança muito!) e pro transsexual que faz o papel de Ola Ray, a atriz que interpretava a namorada de Michael no clipe original. Divirta-se. É nosso tributo a um mito que se vai.
"Tenho certeza que isso se dá porque o presidente Sarney representa dentro do PMDB o apoio ao presidente Lula."
(Deputado Zequinha Sarney, sobre o caso do seu filho, José Adriano, que mantém uma empresa de empréstimos consignados dentro do Senado)
"Uma campanha midiática para atingir-me, na qual não excluo a minha posição política, nunca ocultada, de apoio ao presidente Lula e seu governo.”
(Senador José Sarney, sobre o mesmo tema)
O presidente Lula deveria ficar com as barbas de molho. Abraço de afogado foi o que levou Zé Dirceu para o fundo. O abraçador chamava-se Robeto Jefferson...
O "professor" Jucelino da Luz vai dizer que "já sabia" que Michael Jackson iria morrer exatamente hoje. E que mandou cartas pra gravadora dele e pra embaixada dos EUA avisando do fato, há dois anos...
O jornalista Leandro Fortes é daqueles que usa a caneta como arma. O editorial publicado em seu blog (http://brasiliaeuvi.wordpress.com), a seguir, é irrepreensível. Devia ser matéria obrigatória nas faculdades de Jornalismo...
"Há anos, nem me lembro mais quantos, os principais colunistas e repórteres de política do Brasil, sobretudo os de Brasília, reputam ao senador José Sarney uma aura divinal de grande articulador político, uma espécie de gênio da raça dotado do dom da ponderação, da mediação e do diálogo. Na selva de preservação de fontes que é o Congresso Nacional, estabeleceu-se entre os repórteres ali lotados que gente como Sarney – ou como Antonio Carlos Magalhães, em tempos não tão idos – não precisa ser olhada pelas raízes, mas apenas pelas folhagens. Esse expediente é, no fim das contas, a razão desse descolamento absurdo do jornalismo brasiliense da realidade política brasileira e, ato contínuo, da desenvoltura criminosa com que deputados e senadores passeiam por certos setores da mídia.
Olhassem Sarney como ele é, um coronel arcaico, chefe de um clã político que há quatro décadas domina a ferro e fogo o Maranhão, estado mais miserável da nação, os jornalistas brasileiros poderiam inaugurar um novo tipo de cobertura política no Brasil. Começariam por ignorar as mentiras do senador (maranhense, mas eleito pelo Amapá), o que reduziria a exposição de Sarney em mais de 90% no noticiário nacional. No Maranhão, a família Sarney montou um feudo de cores patéticas por onde desfilam parentes e aliados assentados em cargos públicos, cada qual com uma cópia da chave do tesouro estadual, ao qual recorrem com constância e avidez. O aparato de segurança é utilizado para perseguir a população pobre e, não raras vezes, para trucidar opositores. A influência política de Sarney foi forte o bastante para garantir a derrubada do governador Jackson Lago, no início do ano, para que a filha, Roseana, fosse reentronizada no cargo que, por direito, imaginam os Sarney, cabem a eles, os donatários do lugar.
José Sarney é uma vergonha para o Brasil desde sempre. Desde antes da Nova República, quando era um político subordinado à ditadura militar e um representante mais do que típico da elite brasileira eleita pelos generais para arruinar o projeto de nação – rico e popular – que se anunciava nos anos 1960. Conservador, patrimonialista e cheio dessa falsa erudição tão típica aos escritores de quinta, José Sarney foi o último pesadelo coletivo a nós impingido pela ditadura, a mesma que ele, Sarney, vergonhosamente abandonou e renegou quando dela não podia mais se locupletar. Talvez essa peculiaridade, a de adesista profissional, seja o que de mais temerário e repulsivo o senador José Sarney carregue na trouxa política que carrega Brasil afora, desde que um mau destino o colocou na Presidência da República, em março de 1985, após a morte de Tancredo Neves.
Ainda assim, ao longo desses tantos anos, repórteres e colunistas brasileiros insistiram na imagem brasiliense do Sarney cordial, erudito e mestre em articulação política. É preciso percorrer o interior do Maranhão, como já fiz em algumas oportunidades, para estabelecer a dimensão exata dessa visão perversa e inaceitável do jornalismo político nacional, alegremente autorizado por uma cobertura movida pelos interesses de uns e pelo puxa-saquismo de outros. Ao olhar para Sarney, os repórteres do Congresso Nacional deveriam visualizar as casas imundas de taipa e palha do sertão maranhense, as pústulas dos olhos das crianças subnutridas daquele estado, várias gerações marcadas pela verminose crônica e pela subnutrição idem. Aí, saberiam o que perguntar ao senador, ao invés de elogiar-lhe e, desgraçadamente, conceder-lhe salvo conduto para, apesar de ser o desastre que sempre foi, voltar à presidência do Senado Federal.
Tem razão o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao afirmar, embora pela lógica do absurdo, que José Sarney não pode ser julgado como um homem comum. É verdade. O homem comum, esse que acorda cedo para trabalhar, que parte da perspectiva diária da labuta incerta pelo alimento e pelo sucesso, esse homem, que perde horas no transporte coletivo e nas muitas filas da vida para, no fim do mês, decidir-se pelo descanso ou pelas contas, esse homem comum é, basicamente, honesto e solidário. Sarney é o homem incomum. No futuro, Lula não será julgado pela História somente por essa declaração infeliz e injusta, mas por ter se submetido tão confortavelmente às chantagens políticas de José Sarney, a ponto de achá-lo intocável e especial. Em nome da governabilidade, esse conceito em forma de gosma fisiológica e imoral da qual se alimenta a escória da política brasileira, Lula, como seus antecessores, achou a justificativa prática para se aliar a gente como os Sarney, os Magalhães e os Jucá.
Pelo apoio de José Sarney, o presidente entregou à própria sorte as mais de seis milhões de almas do Maranhão, às quais, desde que assumiu a Presidência, em janeiro de 2003, só foi visitar esse ano, quando das enchentes de outono, mesmo assim, depois que Jackson Lago foi apeado do poder. Teria feito melhor e engrandecido a própria biografia se tivesse descido em São Luís para visitar o juiz Jorge Moreno. Ex-titular da comarca de Santa Quitéria, no sertão maranhense, Moreno ficou conhecido mundialmente por ter conseguido erradicar daquele município e de regiões próximas o sub-registro civil crônico, uma das máculas das seguidas administrações da família Sarney no estado. Ao conceder certidão de nascimento e carteira de identidade para 100% daquela população, o juiz contaminou de cidadania uma massa de gente tratada, até então, como gado sarneyzista. Por conta disso, Jorge Moreno foi homenageado pelas Nações Unidas e, no Brasil, viu o nome de Santa Quitéria virar nome de categoria do Prêmio Direitos Humanos, concedido anualmente pela Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República a, justamente, aqueles que lutam contra o sub-registro civil no País.
Em seguida, Jorge Moreno denunciou o uso eleitoral das verbas federais do Programa Luz Para Todos pelos aliados de Sarney, sob o comando, então, do ministro das Minas e Energia Silas Rondeau – este um empregado da família colocado como ministro-títere dentro do governo Lula, mas de lá defenestrado sob a acusação, da Polícia Federal, de comandar uma quadrilha especializada em fraudar licitações públicas. Foi o bastante para o magistrado nunca mais poder respirar no Maranhão. Em 2006, o Tribunal de Justiça do Maranhão, infestado de aliados e parentes dos Sarney, afastou Moreno das funções de juiz de Santa Quitéria, sob a acusação de que ele, ao denunciar as falcatruas do clã, estava desenvolvendo uma ação político-partidária. Em abril passado, ele foi aposentado, compulsoriamente, aos 42 anos de idade. Uma dos algozes do juiz, a corregedora (?) do TRE maranhense, é a desembargadora Nelma Sarney, casada com Ronaldo Sarney, irmão de José Sarney.
Há poucos dias, vi a cara do senador José Sarney na tribuna do Senado. Trêmulo, pálido e murcho, tentava desmentir o indesmentível. Pego com a boca na botija, o tribuno brilhante, erudito e ponderado, a raposa velha indispensável aos planos de governabilidade do Brasil virou, de um dia para a noite, o mascate dos atos secretos do Senado. Ao terminar de falar, havia se reduzido a uma massa subnutrida de dignidade, famélica, anêmica pela falta da proteína da verdade. Era um personagem bizarro enfiado, a socos de pilão, em um jaquetão coberto de goma. Na mesma hora, pensei no povo do Maranhão."
"Eu julguei que, quando fui eleito presidente, era para presidir politicamente a Casa e não para ficar submetido a cuidar da despensa ou limpar o lixo das cozinhas da Casa"
(Senador José Sarney - PMDB/AP)
Problema de fácil solução, coroné Sarney: é só o senhor entregar o cargo, já que nem cuidar da despensa ou limpar o lixo o senhor consegue. E olhe que ainda estamos na cozinha, ninguém chegou no banheiro ainda. Se existe sujo na beira, que dirá no porão...
Não tenho a menor simpatia por Arthur Virgílio, senador do PSDB/AM. Não votaria jamais nele - nem pra síndico do meu prédio - se amazonense fosse.
Mas hoje, ao passar uma descompostura pública no presidente do Senado, José Sarney, Virgílio lavou a minha alma e disse a Sarney boa parte do que eu gostaria de lhe dizer, se oportunidade tivesse.
Acho que nunca niguém deu um recado a Sarney em termos tão duros. Dentre outras coisas, falando diretamente ao senhor do Maranhão, Virgílio disse que "a época dos panos quentes acabou" e que torce para que Sarney seja "capaz de romper com toda essa camarilha", referindo-se ao grupo gestor do Senado nos últimos 14 anos, período em que a Casa foi dirigida por Agaciel Maia, afilhado político de Sarney.
Referindo-se a Agaciel Maia como "ladrão e chantagista", disse que só se dará por satisfeito quando o ex-Diretor Geral for demitido "a bem do serviço público" e preso por seus malfeitos. Deu a mesma sentença a João Carlos Zoghbi, colega de Agaciel na direção do Senado, onde ocupava o cargo de Diretor de Recursos Humanos, e que é acusado de recebimento de propina de bancos, para facilitar o acesso destes a operações de empréstimo consignado a servdires da Casa.
Virgílio ainda emparedou seus colegas de Senado: disse que se não investigarem Agaciel e seus atos a fundo, os senadores estarão sendo "incompletos, covardes e oportunistas".
Por último, deu o tiro de misericórdia em Sarney, ao defender que os senadores sob suspeita de algum malfeito tem que ser julgados pelo Conslho de Ética do Senado, e não pelo STF (posição defendida por Sarney): "Vossa Excelência não tem que sobreviver, necessariamente. Quem tem que sobreviver é o Senado".
Foi o golpe perfeito num Sarney que tentou esquivar-se das suas responsabilidades ao dizer que a crise era "do Senado", e não dele, Sarney.
Como se diz na minha terra: sentou-lhe a maçaranduba de com força, bem no meio das costas!
Desde o dia em que Heloísa Helena disse, dedo em riste, ao finado coronéAntônio Carlos Magalhães que ele não fora educado, e sim domesticado, eu não me sentia tão vingado assim...
Provavelmente o Senado brasileiro é agora um recordista. Acredito que nenhum órgão público, num país democrático, em qualquer tempo ou lugar do planeta, teve o índice de 100% de irregularidade em seus contratos.
Mas esse é o fato: 100% de irregularidade nos contratos. A ponto da própria auditoria do Senado ter recomendado a anulação imediata de todos os 34 contratos e a realização de novas licitações.
Isso mostra a que ponto de sujidade chegou o Senado da República: a gravidade dos desvios em seus contratos é tão grande que se torna impossível o conserto. Só jogando tudo fora e recomeçando do zero...
1) O presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, em várias ocasiões defendeu que os tribunais superiores atuem como legisladores positivos, diante da inércia do Poder Legislativo. Como exemplos dessa conduta que Mendes considera salutar, citem-se as Súmulas Vinculantes que tratam do uso de algemas e do nepotismo e a decisão do STF sobre a reserva indígena Raposa/Serra do Sol;
2) Há algumas semanas causou espanto a todo o Brasil a estória da mãe que prostituía a própria filha a troco de quatro cervejas, e ainda vendeu a garota, de 16 anos, ao repórter de TV que fazia a matéria sobre prostituição infantil e juvenil na Amazônia. O fato ocorreu em Portel (PA).
Pois bem, juntemos os dois ingredientes agora: o poder legiferante dos Tribunais, tão defendido por Gilmar Mendes, e a prostituição de crianças e adolescentes.
O STJ decidiu, no âmbito do REsp (Recurso Especial) nº 820.018, que o cliente ocasional de prostituta não viola artigo 244-A do Estatuto da Criança e do Adolescente - ECA, o qual tipifica o crime de exploração sexual de menores.
O fato em julgamento era o seguinte: dois sujeitos contrataram os serviços sexuais de três garotas de programa que estavam em um ponto de ônibus, em Cuiabá (MT), mediante o pagamento de R$ 80,00 para duas delas, que eram adolescentes, e R$ 60,00 para uma terceira. O programa foi realizado em um motel da cidade.
Acompanhado o voto do relator, ministro Arnaldo Esteves Lima, a Quinta Turma do STJ entendeu que o crime previsto no art. 244-A (submeter criança ou adolescente à prostituição ou à exploração sexual) não abrange a figura do cliente ocasional, diante da ausência de "exploração sexual" nos termos da definição legal.
Trocando em miúdos: o Tribunal entendeu que não tem crime se alguém levar pra cama menor de idade que já seja prostituta habitualmente. Se o cidadão for o primeiro, o deflorador, aí sim tem grave problema...
O mais esdrúxulo vem agora: o STJ manteve a condenação dos réus pelo crime do artigo 241-B do ECA (adquirir, possuir ou armazenar, por qualquer meio, fotografia, vídeo ou outra forma de registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente), por eles terem fotografado as menores nuas em poses eróticas.
Em resumo: você pode ter relações sexuais com uma criança ou adolescente, desde que não seja o primeiro. Fotografar a menor em poses eróticas não! Nem pensar!
Por esse entendimento, se você tivesse relações sexuais com a garota de 16 anos de Portel (PA), citada no início, não cometeria crime nenhum - já que ela habitualmente se prostituía. Agora, se você tirasse uma foto dela nua em pose erótica (mesmo que você não tocasse nela), haveria crime.
O Tribunal ainda manifestou entendimento de que havendo dúvida quanto à menoridade da "vítima", não há dolo. Logo, não há crime...
E eis aí, meus caros leitores, a contribuição do STJ para o combate à prostituição infanto/juvenil, legalizando a prática!