É preciso olhar o Rio de Janeiro com calma e tentar entender o motivo das coisas acontecerm por lá sob uma ótica diferenciada do resto do país.
O deputado estadual Álvaro Lins (PMDB/RJ) foi preso ontem (29/05), em flagrante, durante as buscas da operação Segurança Pública S/A, levada a cabo pela Polícia Federal.
Lins é acusado de corrupção passiva, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha armada e facilitação de contrabando. É uma folha corrida capaz de fazer corar um frade de pedra.
Em qualquer parte do Brasil, os demais deputados estaduais condenariam a atitude da polícia, alguns silenciariam e outros ainda sairiam em defesa do colega, protestando pela sua inocência. Os colegas de Lins na Assembléia Legislativa do RJ acham que essas atitudes triviais são insuficientes. Aprovaram hoje, pouco mais de 24 horas depois da prisão de Lins, uma Resolução que determina a sua soltura imediata.
Isso mesmo que você leu, os colegas do Lins mandaram colocá-lo em liberdade, e não estão nem aí para as acusações que pesam sobre o colega.
No Rio de Janeiro, onde a dengue matou à vontade e o crime ainda mata, na Assembléia Legislativa onde devem existir centenas de projetos importantes mofando há anos, os deputados se mobilizaram para soltar seu colega, em 24 horas.
Certamente, jamais se mobilizaram com tamanha rapidez para salvar algum cidadão da morte por falta de leitos hospitalares, assim como jamais moveram uma palha tão rapidamente para coibir o crime que grassa no estado...
Nenhum dos 40 deputados estaduais do RJ (dos 70 que existem por lá) que votaram pela soltura de Lins pode reclamar, no futuro, de corrupção ou crime organizado, onde quer que seja. Tiveram sua chance de diminuir a incidência do problema e optaram por dar a liberdade ao seu colega-problema...
Alegando insatisfação com a Fundação Nacional de Saúde, um indefeso funcionário foi estuprado por um grupo de índios na região do Oiapoque, extremo Norte do País. Envergonhado, ele reluta em prestar queixa à polícia e pede inclusive para omitir o Estado em que é lotado. Danilo Forte, presidente da Funasa, admitiu à coluna que informalmente soube do fato, mas só pode ordenar sua apuração com a denúncia formalizada."
Primeiro: quero ver se as ONG's (ou o CIMI...) vão alegar que o estupro é um ato "tradicional" da cultura indígena. Ou se vão dizer que os índios cometeram o crime em "estado de necessidade"...
Segundo: o presidente da FUNASA alegar que só pode ordenar a apuração com denúncia formalizada é brincadeira. É típico de quem não quer mexer no assunto. Ele é a autoridade máxima do órgão, e o fato aconteceu na Autarquia. É fato funcional, e portanto ele deveria determinar a apuração imediata. Quer dizer que a Autarquia não pode proteger seus servidores?
O Supremo irá liberar as pesquisas com células-tronco. A ADin contra o art. 5º da Lei de Biossegurança será rejeitada, pois seis ministros já votaram pela rejeição da ação.
Ontem, quatro ministros já haviam votado pela rejeição da ação. Hoje, Marco Aurélio Mello proferiu seu voto, o quinto, também pela rejeição. E Cezar Peluso reviu seu posicionamento, manifestando hoje que não opôs qualquer ressalva em seu voto de ontem.
(Como diria Alexandre Dumas, pai, a noite é boa conselheira...)
O Blogosfera achou significativo que as duas mulheres do Supremo, ministras Ellen Gracie e Cármem Lúcia, tenham votado a favor das pesquisas com células-tronco.
Provedoras da vida que são, as duas devem ter votado não só como juristas, mas também com amor materno.
Quando você pensar que já viu de tudo na vida, vá ao
YouTube. E perceba que os seus conceitos precisam ser
revistos a todo momento...
Com vocês, Asusana e Alíbera,
discípulas de INRI Cristo, cantando uma versão do hitUmbrella, da cantora Rihanna, com uma letra especialmente
produzida para homenagear seu ídolo...
Trecho de entrevista do ministro Mangabeira Unger, coordenador do PAS - Plano Amazônia Sustentável, à Folha de São Paulo de hoje:
"FOLHA - O sr. se julga suficientemente informado? MANGABEIRA - Eu me julgo um ignorante. O que eu sei fazer é construir uma tarefa com pessoas de idéias contrastantes. A premissa da discussão com o mundo a respeito da Amazônia é a reafirmação da nossa soberania. Mas não devemos cultivar uma atitude paranóica."
O ministro encarregado do PAS se considera "um ignorante" em matéria de Amazônia. Tá certo, agora me conta uma novidade...
P.S.: Primeiro, foi o novel ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, que declarou textualmente que não conhece o Brasil só o Rio de Janeiro. Agora, é o coordenador do plano que rediscute a Amazônia que declara ser um ignorante sobre o tema. Tem alguém no Governo que conheça a Amazônia?
Faleceu em sua casa em Los Angeles (EUA), nesta segunda-feira, o cineasta Sidney Pollack, que atuou como ator, diretor e produtor.
Autor de grandes filmes, com uma direção segura e câmera ágil, em situações que envolviam o espectador e exigiam atenção e raciocínio para o desenrolar da trama, Pollack foi agraciado com dois Oscar em 1986, Melhor Filme e Melhor Diretor por Entre Dois Amores, filme que foi o momento mais alto de sua carreira e teve onze indicações para o Oscar, levando sete estatuetas, inclusive Melhor Atriz para Meryl Streep. Além disso, o filme teve indicações para o Urso de Ouro, BAFTA, Globo de Ouro e Palma de Ouro.
Aquela que é, na opinião do Blogosfera, uma das melhores obras de Pollack, entretanto, ganhou poucos prêmios: trata-se de Os Três Dias do Condor, com Robert Redford (Pollack e Redford fizeram sete filmes juntos), Faye Dunaway e Max von Sydow. O filme teve apenas uma indicação a um Oscar técnico (Melhor Edição em 1976), e ganhou outros três prêmios em festivais menores.
A obra mais conhecida de Pollack, junto ao grande público, porém, será sempre Tootsie (1982), que teve uma interpretação estupenda de Dustin Hoffman no papel principal, o que lhe valeu uma indicação ao Oscar de Melhor Ator e um prêmio BAFTA e um Globo de Ouro, na mesma categoria. Aliás, o próprio Pollack atuou como ator em Tootsie, no papel de George Fields, empresário de Michael Dorsey, a personagem de Dustin Hoffman. Modesto, não incluiu sua própria atuação nos créditos do filme...
Outro grande sucesso junto ao público foi A Firma (1993), com Tom Cruise, Gene Hackman e Holly Hunter (esta indicada ao Oscar de 1994 duas vezes, como Melhor Atriz Coadjuvante por A Firma e Melhor Atriz por O Piano, levando nesse ano o de Melhor Atriz).
O Blogosfera deseja que Pollack esteja agora preparando-se para dirigir um coro de anjos num musical arrasador, em algum lugar no céu. Ele merece...
O Carrefour está com um festival de promoções "de inverno" pra lá de atraente. O excelente Cartuxa Colheita 2004, primoroso vinho português da DOC Évora (a mesma região que produz o Pêra Manca, o melhor vinho português de todos os tempos), uma jóia de Portugal, está a inacreditáveis 29 reais (só pra comparar, na Super Adega está a 75 reais). E o Santa Carolina Reserva 2005, cabernet sauvignon chileno da DO Valle de Colchagua, ótimo para acompanhar carnes grelhadas e assados, está a 33 reais.
Aliás, a revista Época desta semana traz um retrospecto dos últimos dez anos do Brasil, registrando o crescimento do consumo de vinhos e da produção de uvas viníferas, O grande destaque da revista é a região do Vale do São Francisco, antes árida e empobrecida, e agora alçada à condição de "Califórnia nacional". A região já responde por 15% da produçao nacional, inclusive alguns excelentes espumantes (como o Terranova Moscatel e o Terranova Blanc de Blancs) e belos vinhos de mesa, que já fazem bonito no exterior...
Nossa democracia, costumo repetir, é muito frágil. Renan Vacalheiros sangrou à frente do Senado, o quanto quis e pelo tempo que quis, sem que aquela Casa pudesse tomar alguma medida para retirá-lo do poder, pelo menos enquanto estivesse na condição de réu - no Conselho de ética do próprio Senado!
Está em gestação mais um ataque sórdido à democracia e ao Estado de Direito.
Deputados começam a discutir, por ora ainda veladamente, mas cada vez mais consistentemente, o mais duro golpe contra a honestidade e a ética que o País já viu. Mensalão, Renan Vacalheiros e Severino Cavalcanti serão fichinha perto do que está por vir.
Discute-se, pura e simplesmente, o fim da independência do Judiciário e do Ministério Público. Deputados e Senadores querem acabar com a vitaliciedade do mandato de Ministros do Supremo do TCU - Tribunal de Contas da União e do STJ, e querem influir diretamente na escolha do Procurador-Geral da República.
Atualmente, o mandato dos ministros do Supremo, TCU e STJ - encarregados do julgamento de ministros, governadores, presidente da República, deputados estaduais e federais e senadores em crimes de responsabilidade - é vitalício, e isso não é privilégio desses ministros. É garantia dada a qualquer membro do Judiciário, para que o Judiciário seja independente, como deve ser, pelo bem da democracia.
E quanto ao Ministério Público - encarregado de investigar as falcatruas dos políticos e um dos guardiões da moral no País - os políticos não influem na escolha de seus chefes. Querem passar a influir na nomeação de quem irá investigá-los - com o claro e declarado propósito de aliviar as próprias barras.
Um dos autores da idéia, deputado Márcio França (PSB/MG), não por acaso é reu em dois inquéritos que tramitam justamente no STF. O primeiro pai da idéia foi, vejam só, Jader Barbalho (PMDB/PA), que que dispensa maiores apresentações.
Repasse o endereço para todos que você conhece. Nunca uma corrente pela internet foi tão necessária no Brasil. Alerte todos. A democracia e a ética correm sério risco de morte!
O Blogosfera tem a solução para o problema da hidrelétrica de Belo Monte - pra quem não sabe, os índios da etnia Kayapó, que vivem na área da futura hidrelétrica, já disseram que são contra o projeto e vão lutar "até a morte" contra a obra.
É simples: é só dizer que os índios vão ganhar dinheiro com a obra, muito dinheiro. Pronto, está resolvido o problema. Índio não quer apito, não. Quer picape importada, celular, TV de plasma de 42" e dinheiro, muito dinheiro...