Blogosfera - Mídia e Política na rede
   A penúltima do Arruda...

O governo Arruda no GDF parece um cano furado de irregularidades e ações suspeitas. Agora aparece um documento, apreendido pela Polícia Federal, que pode comprovar que o governador contava com uma claque, paga para promover manifestações de apoio ao próprio Arruda. A denúncia está no site da revista Época (veja aqui), onde você pode ver o documento, inclusive com uma anotação de próprio punho do governador Arruda...



Escrito por Alan Souza às 18h37
[] [envie esta mensagem] []


 
   O PSDB morde a isca

Natural que com o avançar das semanas o bate-boca eleitoral na imprensa esquente. Na atual fase do jogo eleitoral estamos assistindo a briga assumir proporções de batalha campal. O PSDB escalou o senador Sérgio Guerra (PE) para ser o artilheiro oficial do partido contra Dilma Roussef. E Guerra tem cumprido bem a missão: já acusou Dilma de tudo que é possível (veja aqui), e a revista Veja não economizou em convidá-lo para entrevistas, nas quais por vezes o próprio repórter faz Guerra se dar mal, como nesta. Só Reinaldo Azevedo, o colunista preferido da Oposição, citou Guerra 188 vezes no mês janeiro.

 

A estratégia do PT foi colocar Lula para assumir a defesa de Dilma, usando até expressões de baixo calão pra atacar Guerra (relembre aqui). Usar Sérgio Guerra pra bater em Dilma tinha justamente a finalidade de impedir que Serra fosse arrastado pra briga. Mas acabou dando mais espaço para o PT manifestar-se na mídia e colou a imagem de Dilma em seu defensor - Lula. Brigar com Lula era tudo que o PSDB não queria, dada a popularidade do presidente na casa dos 80%. Lembrem-se que o mote do PSDB foi dado há quase um ano por Aécio Neves, quando criou a expressão pós-Lula, a qual o próprio Serra comprou, dizendo que não é o "chefe da Oposição".

 

Com a entrada de Lula na briga não restou aos Tucanos senão chamar FHC pra bater boca com o presidente da República. E aí veio a cartada inteligente: Dilma assumiu a onda reativa contra FHC (veja aqui). Por aí seguirá a campanha daqui pra frente. Somente os cachorros grandes vão entrar no centro da disputa. Ao tentar desmontar a estratégia do PT de fazer uma eleição plebiscitária, o PSDB acabou se deixando arrastar justamente para o que não queria: uma guerra verbal entre os dois grupos, com espaço para fartas comparações entre os governos Lula/FHC, ao qual os Tucanos não poderão se esquivar.

 

Lembra a reeleição de Lula em 2006, quando a campanha petista atirou o rótulo de privatistas nos Tucanos, e estes enrolaram-se formidavelmente na armadilha...

 

 

*Este post está sendo publicado simultaneamente com o blog coletivo Amálgama (www.amalgama.blog.br).



Escrito por Alan Souza às 11h59
[] [envie esta mensagem] []


 
   Homossexuais nas Forças Armadas

Vi ontem o general Cerqueira Filho despejar todo o seu preconceito e sua pequena visão de mundo, ao ser interrogado, na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, sobre a presença de homossexuais nas Forças Armadas. Ao declarar que um homossexual não seria respeitado pela tropa e não seria obedecido, o general não só pôs em dúvida os dois maiores dogmas da ordem militar (hierarquia e disciplina), mas também foi profundamente desrespeitoso com as mulheres que compõem as Forças Armadas e as Polícias Militares, bem como foi totalmente desrespeitoso com todas as mulheres que ocupam cargos de chefia, notadamente nas Polícias Civis, Federal e Rodoviária. Ele inclusive resvalou e desrespeitou a ministra Dilma Roussef, uma mulher em cargo de alto comando, de reconhecido pulso forte, e que poderá vir a ser sua comandante... 

O machismo incontido do general produziu uma das maiores gafes que já se viu no Senado e a maior bobagem que já se ouviu a respeito do assunto, na história do País.

Vou propor aos leitores do Blogosfera uma visão bem mais simplificada do problema, que não passa por problemas  históricos, educacionais, sociológicos ou religiosos - notadamente as maiores fontes de preconceitos contra homossexuais, não somente na questão das Forças Armadas, mas em qualquer situação de discriminação que se pense:

1) Nossa Constituição vigente diz que todos somos iguais perante a lei, sem distinção de qualquer  natureza (art. 5º, caput);

2) Logo, de acordo com a Constituição, não há qualquer obstáculo para que um homossexual ocupe cargos públicos, por exemplo - sejam esses cargos providos mediante concurso ou acessíveis por nomeação e/ou eleição;

3) Um homossexual declarado, se quiser, poderá candidatar-se a qualquer cargo público eletivo, como deputado ou senador. Poderá ser nomeado ministro do STF, se cumprir os requisitos constitucionais. Poderá até eleger-se presidente da República, e nessa condição seria o comandante supremo das Forças Armandas (Constituição Federal, art. 84, XIII), inclusive do general Cerqueira...

4) Portanto, se a Constituição não permite qualquer discriminação contra a orientação sexual, em qualquer nível, não será nas Forças Armadas que isso será admissível, pense o que pensar o general Cerqueira, ou qualquer outro general, brigadeiro, almirante ou qualquer pessoa.

A ordem constitucional são se sujeita às opiniões de quem quer que seja, por mais abalizadas (ou não) que sejam. Não se submete o texto constitucional aos preconceitos e/ou visões religiosas, sociais, ideológicas ou filosóficas de ninguém.

Se a lei comum não se discute - cumpre-se - o que se dirá da Constituição, Lei Maior do País?

Portanto, ou respeita integralmente a Constituição ou então pede pra sair, general Cerqueira!

P.S.: Sobre o general Cerqueira, penso que ao mostrar-se refratário à Constituição Federal, ou no mínimo exibir profundo desconhecimento da mesma, ele demonstra não possuir algo elementar que se espera de um ministro de um Tribunal Superior - conhecimento e respeito à Lei Maior do país. Devia a CCJ mandá-lo de volta para a caserna, onde ele certamente não será mais útil à Nação, mas pelo menos comandando ordem unida o general não terá oportunidade de violentar a Constituição do país...



Escrito por Alan Souza às 11h43
[] [envie esta mensagem] []


 
   Até quando?

A operação Caixa de Pandora mostra que existem contra José Roberto Arruda, governador do DF (e contra a cambada que o apóia), fartas provas de falcatruas, corrupção e roubo descarado do dinheiro público. São provas documentais, testemunhais, gravações de vídeos, escutas ambientais e telefônicas, estas duas últimas autorizadas pela Justiça e executadas pela  Polícia Federal.

De acordo com a Jurisprudência dos Tribunais Superiores as escutas ambientais e telefônicas são provas inquestionáveis, dada a forma controlada como foram produzidas, autorizadas e controladas pela Justiça (no caso um Tribunal Superior, o STJ), através da ação policial da Polícia Federal. A única coisa que a defesa de Arruda pode fazer é dar-lhes a versão que acharem melhor, e que certamente será fantasiosa - como a estória dos panetones.

Agora existem novas provas, obtidas pela Polícia Federal com autorização judicial, de que Arruda manipula os fatos, tenta corromper e intimidar testemunhas e embaraçar a ação do Judiciário, prejudicando o andamento das investigações. Arruda faz isso porquê, sentado na cadeira de governador do GDF, ainda em acesso a dinheiro e à máquina estatal, poderosa engrenagem de produzir favores para aliados e comprar consciências, depoimentos e provas...

Não há mais sombra de dúvida: uma máfia tão poderosa, organizada e maléfica quanto a Cosa Nostra está instalada no GDF - Governo do Distrito Federal.

A única dúvida é: até quando o Judiciário irá permitir que Arruda e sua gangue atuem livremente?

Quando, para o bem do povo, se decretará o afastamento do Governador e seus asseclas?



Escrito por Alan Souza às 10h47
[] [envie esta mensagem] []


 
   Comprei um Xing Ling

Comprei um Xing Ling. Calma, antes que você pense que eu estou envolvido no tráfico de crianças eu explico: Xing Ling é uma gíria cada vez mais em uso aqui em Brasília, para aqueles telefones celulares chineses sem marca, que imitam descaradamente tudo que os smartphones tem (inclusive o design) e ainda podem carregar dois chips ao mesmo tempo. Eu comprei um porque carregava dois celulares de operadoras diferentes pra cima e pra baixo, o que me obrigava a ter sempre dois carregadores diferentes à mão e me enrolar na hora de passar de um modelo pro outro, que tinham comandos diferentes. Agora carrego um único aparelho, menor que os outros dois anteriores e que usa os dois chips ao mesmo tempo. Simples assim.

Ontem assisti uma reportagem sobre as operadoras de telefonia celular que vendem celulares bloqueados para uso em operadoras concorrentes e criam dificuldades para desbloquear o aparelho, o que é um direito irrestrito do consumidor, e para o qual a operadora não pode cobrar qualquer taxa ou impor condição alguma. A concorrência desleal impede que o consumidor usufrua das vantagens de mais de uma operadora. Pra driblar isso você tem que andar com dois aparelhos, ou caso desbloqueie um é obrigado a trocar o chip quando quiser mudar de linha, o que deixa um chip sempre inoperante por alguns minutos.

O Xing Ling veio pra derrubar tudo isso com uma só paulada. Disponível em inúmeros modelos, carregando dois chips (que podem ser usados simultaneamente) e com uma imensa gama de recursos, o Xing Ling é a democracia capitalista em sua plenitude, imposta a força pelo consumidor. Cada vez mais pessoas tem celulares desses, eles fazem muito sucesso nas classes C e D, mas cada vez mais avançam entre os consumidores das classes A e B. Os consumidores dessas classes mais abastadas, aliás, ainda não aderiram ao Xing Ling de vez por conta das promoções que as operadoras fazem para mantê-los cativos, oferecendo planos mirabolantes e smartphones de graça. Mas essas promoções amarram o consumidor na fidelização, e é aí que o Xing Ling ganha: desbloqueado, carregando dois chips, com as mesmas opções de seus concorrentes "oficiais" e muito mais barato, eles atraem uma parcela dos consumidores que não tem consumo pra ganhar planos-presente (os portadores de chip pré-pago, por exemplo), e os que querem a facilidade de duas linhas em um único aparelho (como eu).

O meu Xing Ling, por exemplo, custou 200 reais e veio com duas baterias, cartão de memória de 2 Gb, tem acesso à internet, TV, rádio, toca música e vídeo, tem câmera de 8 Mpx e bluetooth. Um similar de loja, sem a opção de dois chips, custaria no mínimo 500 reais.

Vai demorar um pouco, mas acho que as operadoras logo vão acordar e passar a vender modelos de fabricantes tradicionais que portam dois chips. Eles já existem e são comuns no Japão e na Europa, onde a concorrência é mais saudável para o consumidor...



Escrito por Alan Souza às 08h58
[] [envie esta mensagem] []


 
   Estamos no Amálgama

Texto de nossa autoria foi publicado hoje no Amálgama, coletivo muito interessante que está circulando na internet, e que trata de mídia, política, cultura e comportamento. Visite o Amálgama (conheça clicando aqui) e dê essa força pra mídia independente! O link direto pra nossa postagem é http://www.amalgama.blog.br/02/2010/por-que-falam-da-saude-do-presidente/.



Escrito por Alan Souza às 19h35
[] [envie esta mensagem] []


 
   O mito Ciro Gomes

A última pesquisa do instituto Vox Populi derruba o mito de que Ciro Gomes (PSB) transfere votos para José Serra (PSDB), caso desista de sua candidatura a presidência. Apesar dos números, a imprensa insiste nesse mito. Vejamos:

1) Nas simulações com o nome de Ciro Gomes (e mesmo com este caindo 6%), Serra cai 5% - e Dilma sobe 9%;

2) Nas simulações sem o nome de Ciro Gomes Serra cai ainda mais (8%), e Dilma mantém sua subida em 8%. 

 

Três dados relevantes das últimas pesquisas realizadas revelam fatores "esquecidos" pela imensa maioria dos comentaristas políticos, ao falar de eleição:

a) Serra parece ter atingido seu teto histórico de 40% (aliás, teto histórico da Oposição no Brasil), e vem caindo pesquisa após pesquisa;

b) Dilma é conhecida por 57% do eleitorado (Serra é conhecido por 93%);

c) 30% dos eleitores se declaram dispostos a votar no candidato do presidente Lula. Uma nada desprezível fatia de 1/3 do eleitorado. 

Por fim, o que realmente deve preocupar Serra: mesmo com palanques fortes em Minas e no Rio de Janeiro, a Oposição foi derrotada com folga por Lula nesses estados, que representam os dois maiores colégios eleitorais do país, depois de São Paulo. Em Minas Lula teve 50% dos votos, contra 40% de Alckmin. No Rio de Janeiro a diferença foi ainda maior: 49% para Lula, contra 28 para Alckmin. E mesmo em São Paulo Lula obteve 36% dos votos. A repetir-se este cenário a Oposição começa a ver-se na estranha situação de estar na frente nas pesquisas e temer a derrota final...

Atualização das 14:28: dois dados da pesquisa CNT/Sensus chamam a atenção. O primeiro é que Dilma é a candidata com o menor índice de rejeição (28,4%), enquanto que Marina Silva lidera nesse quesito, com 36,6%. Outro dado é que mesmo sendo conhecida por 57% do eleitorado (contra 93% de Serra), Dilma ganha por pouco de Serra na pesquisa espontânea, aquela na qual o eleitor declara em quem votaria se a eleição fosse hoje, sem que lhe seja apresentado nenhum nome. Nessa modalidade Dilma tem 9,5% do eleitorado, contra 9,3% de Serra.



Escrito por Alan Souza às 11h49
[] [envie esta mensagem] []


 
   Sob ordens médicas

Amigos leitores do Blogosfera, o titular do blog encontra-se em recuperação de uma complicada cirurgia no ouvido esquerdo. Devemos ficar de molho por uns 15 dias, e nesse período as postagens devem escassear. Mas vamos fazer um esforço para blogar e continuar com vocês, pois fazer e ler blog é um saudável vício, que deve ser incentivado e mantido!

Grande abraço e, pela compreensão e audiência, meu muito obrigado a todos!



Escrito por Alan Souza às 21h19
[] [envie esta mensagem] []


 
   O país da piada pronta...

"Lula descansa em São Bernardo e assiste dois filmes"

(Veja
aqui)

Ele assistiu A Morte Pede Carona e Os Substitutos.

Não, isso não é uma piada. Bom, pelo menos não da minha parte...



Escrito por Alan Souza às 22h36
[] [envie esta mensagem] []


 
   Alguma coisa está errada...

Acompanhe o raciocínio: o CNJ - Conselho Nacional de Justiça, órgão encarregado de zelar pelo controle do Poder Judiciário. No exercício de suas funções o CNJ decidiu que mais de cem cartórios do Maranhão estavam em situação irregular, pois a Constituição Federal determina que o titular do cartório seja selecionado mediante concurso público, o que não fora observado naquelas serventias.

Daí o CNJ manda (como lhe assegura o art. 103-B, § 4º, II, da Constituição) que sejam afastados os titulares desses cartórios. Para tanto o CNJ suspendeu uma liminar do do Tribunal de Justiça do Maranhão, que mantinha os cartorários irregulares nos cargos.

Então os cartorários recorreram ao STF. E o ministro Cezar Peluso concedeu-lhes uma liminar, determinando que todos voltem aos seus postos. Segundo o ministro, realmente a Constituição Federal impõe a necessidade de concurso público para o preenchimento das vagas nos cartórios. No entanto, o ministro acha que o CNJ não tem poderes para anular uma decisão judicial.

O CNJ foi criado em 2004, como órgão de controle do Poder Judiciário. Seus poderes são definidos na Constituição Federal, e incluem o controle da legalidade dos atos administrativos dos Tribunais (como a nomeação dos cartorários), podendo inclusive anular tais atos.

Ao reconhecer que o argumento do CNJ, da necessidade de concurso para o cargo de cartorário, o STF nada mais faz do que cumprir sua função primordial, que é a guarda da Constituição. Mas ao dizer que o CNJ não pode anular decisão judicial, o ministro Cezar Peluso torna um órgão de controle sujeito às decisões de tribunais inferiores. O CNJ ficou esvaziado de seus poderes, perante o TJ do Maranhão. Qualquer outro Tribunal se sentirá à vontade para contestar as decisões do CNJ.

Em suma: de uma só tacada Peluzo atropelou a Constituição, justamente a norma que o STF deve proteger, validando uma decisão que reconhece inconstitucional, em detrimebti dos poderes constitucionais do CNJ. Aliás, a atuação do Conselho vem sendo elogiada pela maioria dos advogados, juízes, promotores, procuradores da República e servidores do Judiciário e MP. É visto como um sopro de ordem e moralidade, de respeito à Lei e aos prazos processuais, de apoio ao cidadão na busca da celeridade do Judiciário.

Resta tentar entender como uma decisão inconstitucional de um Tribunal Estadual pode se sobrepor a um órgão superior do Judiciário - e justo pela liminar de um membro da Corte Suprema...



Escrito por Alan Souza às 14h57
[] [envie esta mensagem] []


 
   A Globo e as crises fabricadas

O Jornal Nacional de hoje veiculou reportagem criticando a postura diferenciada do Governo Brasileiro frente às crises políticas de Honduras e da Venezuela.

Para ilustrar a posição do jornal foram entrevistados o cientista político Alexandre Barros e o diplomata Botafogo Gonçalves.

O Jornal Nacional só não disse aos telespectadores que nenhum dos dois entrevistados são fontes isentas.

Botafogo Gonçalves foi ministro da Indústria e Comércio do governo de Fernando Henrique Cardoso. Atualmente está ao lado de FHC no conselho curador do CEBRI - Centro Brasileiro de Relações Internacionais. 

Alexandre Barros é PhD em Ciência Política pela Universidade de Chicago, templo do pensamento econômico da direita liberal. É articulista do Instituto Millenium, onde tem por companhia outros tucanos juramentados (como André Franco Montoro Filho, secretário de estado de Mario Covas e Geraldo Alckmin) e conhecidos anti-lulistas, como Ali Kamel, o diretor da Central Globo de Jornalismo, e o jornalista Reinaldo Azevedo, da revista Veja, o mais declarado e assumido anti-Lula da atualidade.

Assim age a Globo, fabricando crises e contando só metade da estória...



Escrito por Alan Souza às 00h41
[] [envie esta mensagem] []


 
   Mais uma vez, na mosca!

Entre 15 e 18 de outubro do ano passado, o Blogosfera publicou uma série de quatro artigos sobre o MST - Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra. Mostramos como o MST tornara-se um grupo de inspiração política maoísta e que buscava atuar mais nas cidades, deixando de ser um movimento apenas rural. Falamos da crise interna que o movimento atravessava, e da falta de empatia do mesmo com o público.

Hoje o jornal Zero Hora, de Porto Alegre, publicou uma entrevista com o principal líder do MST, o economista João Pedro Stédile. Na entrevista (que você pode ler aqui), o ideólogo do movimento anuncia que as invasões de terra deverão diminuir de ritmo, eis que não agregam aliados à causa do MST. Também anuncia que o caminho do movimento passará por alianças com trabalhadores urbanos.

O Blogosfera acertou na mosca. Mais uma vez. E quem ganha, leitor, é você. Os leitores do Blogosfera souberam, com três meses de antecedência, aquilo que o resto da mídia só soube hoje, através da entrevista de Stédile...



Escrito por Alan Souza às 23h27
[] [envie esta mensagem] []


 
   Não tem a menor graça...

Muito comentada na mídia, a prisão do humorista (?) Zina, da trupe do programa Pânico na TV, da RedeTV!, é ponto de partida para uma reflexão do Blogosfera.

Zina é uma espécie de Mechéu moderno (o debilóide Mechéu, personagem do conto homônimo se Guimarães Rosa, é a figura que diverte, com seu retardo mental limítrofe, ao populacho que o cerca). É a própria figura da vítima indefesa do deboche dos humoristas do Pânico, que riem escancaradamente dele. Exibido em sua parvoice para deleite dos próprios colegas de trupe e do telespectador. É grotesco, mas está absolutamente dentro do contexto de audiência e lucro a qualquer custo que o Pânico segue, sem se importar com respeito e dignidade a quem quer que seja. Desde que faça rir, dê audiência e dinheiro, nada é proibido.

Zina foi descoberto por acaso pelos humoristas do Pânico. Sua fala tosca sobre o jogador Ronaldo, do Corínthians, foi exibida à exaustão no programa, todos escarnecendo de Zina, enquanto isso deu audiência. Eis que Zina revolta-se, e não aceitando mais o papel de idiota exibido para deleite da população (e para a audiência do Pânico), entra com um processo por danos morais contra o programa e a RedeTV!

Espertamente, a RedeTV! levou Zina ao Pânico. Exibiu-o no palco do programa, os humoristas já debochando bem menos dele. Arranjaram uma casa pra Zina - em suma, o cooptaram. Zina retirou o processo contra o programa e a emissora, e foi incluído na trupe do Pânico. Só por aí já dá pra avaliar a péssima qualidade do programa, que aceita incluir em seus quadros um sujeito limítrofe, sem qualquer talento pro humor que não seja seu (evidente) atraso mental.

Eis que algo sai errado. Zina primeiro foi detido portando cocaína. Está respondendo ação penal na condição de usuário de drogas. A RedeTV! fez que não era com ela. A imprensa, entretanto, não noticiou a prisão de um qualquer, fez questão de estampar que um integrante do Pânico havia sido preso com drogas. Fosse a vistosa Sabrina Sato ou outro membro da trupe, e certamente os mecanismos clássicos de abafamento e diluição da notícia seriam ativados, mas o pobre Zina, contratado apenas para sair da condição de incômodo, não mereceu essa deferência.

Há cerca de dez ou quinze dias, Zina foi preso novamente, por porte ilegal de arma e disparo em via pública. Está preso desde então. A promotoria decidiu que irá pedir um exame de sanidade mental do humorista (?). Há séria desconfiança que ele não tenha o juízo perfeito - coisa que quem já viu Zina falando uma única vez tem plena certeza...

Pra se livrar do processo e da exposição negativa saiu mais barato pra RedeTV! contratar Zina (certamente por um valor muito abaixo do que é pago a Sabrina Sato, musa do Pânico...). A emissora expõe Zina de forma desumana, debochada, descaradamente valendo-se de sua pouca instrução e ingenuidade (pra não falar da evidente inteligência limítrofe do coitado), explorando tão somente sua imagem lastimável.

A RedeTV! fez de um problema social seu degrau para a audiência e o dinheiro. Não é à toa que a emissora vem recebendo vários e-mails de telespectadores pedindo que, uma vez libertado, Zina não volte à TV. O próprio público do Pânico, adepto do riso fácil pela forma como os humoristas perseguem e humilham as pessoas, está ficando nauseado. Não é pra menos. Esse tipo de atitude do programa e da emissora não tem a menor graça...



Escrito por Alan Souza às 14h40
[] [envie esta mensagem] []


 
   Da absoluta inutilidade da Justiça Eleitoral

A Justiça Eleitoral converteu-se numa estrutura inútil. Pouco ou nada faz de relevante para o país, e por isso poderia ser extinta, sem que qualquer pessoa notasse sua falta. Qualquer ramo do Judiciário, seja o estadual ou federal, assumiria suas funções com muito mais eficiência, desde que recebesse os servidores do Judiciário que ora batem ponto nos TRE's e no TSE.

A Justiça Eleitoral, em primeiro lugar, não serve como órgão de controle das eleições e do processo eleitoral que as antecede, pois lhe falta uma característica básica dos órgãos de controle: o direito de ação ex officio, ou seja, por iniciativa própria. Ela precisa esperar que alguém a provoque. Como o processo eleitoral partidário constitui-se basicamente de acordos entre os partidos, então raramente ela se vê provocada, fora as reclamações sobre os programas do horário eleitoral gratuito.

Tome-se como exemplo a decisão do TSE (que precisou ser referendada pelo STF pra ser respeitada...) de que os mandatos pertencem aos partidos, os quais podem ir à Justiça reclamar os mandatos de parlamentares e executivos que mudarem de partido. Como a Justiça Eleitoral não tem iniciativa, nesses casos os partidos exercem tal prerrogativa como mero instrumento de vingança ou de acomodação de interesses eleitoreiros. Maior prova disso é o DEM ter aceito a saída de José Roberto Arruda, único governador da legenda, e não ter ido buscar o mandato nas barras dos tribunais.

O Blogosfera já mostrou, em dezembro de 2007, como esse sistema de negociatas políticas funciona com as bençãos da lei. Veja nosso post aqui.

Mas a maior prova da inutildade da Justiça Eleitoral está na atualidade, ocorrendo neste exato momento. De todos os lados blogueiros, jornalistas, articulistas e comentaristas estão descendo a lenha na Justiça Eleitoral, que está apanhando de todos os lados, feito boi fujão, por não fazer absolutamente nada em relação à antecipação descarada da propaganda eleitoral, e pior, custeada com dinheiro público. Não falo aqui apenas do presidente Lula e sua candidata, a ministra Dilma Roussef, mas igualmente do governador de São Paulo, José Serra, que sempre que pode sobe um palanque, embora a mídia não noticie com a mesma veemência que usa para com o Governo.

O jornalista e blogueiro Ricardo Noblat, em seu blog, está atirando no rosto da Justiça Eleitoral uma verdade inconveniente: ela nada faz em relação à campanha antecipada principalmente por conta do presidente Lula, por não ter coragem de afrontar um presidente com 80% de aprovação popular. É o mesmo motivo pelo qual a dupla DEM/PSDB não teve coragem de pedir o impeachment de Lula na época do escândalo do Mensalão. Como não tem coragem de barrar Lula, José Serra fica livre também pra fazer sua campanha. E a dupla da oposição fingida (PSDB/DEM) fica entrando com reclamações no TSE, que antecipadamente sabe que serão negadas, apenas pra ter o que falar na campanha eleitoral.

O jornalista e blogueiro Fernando Rodrigues publicou excelente texto sobre um dos temas adjacentes à Justiça Eleitoral: a norma que determina período específico para campanha eleitoral. É parte da hipocrisia reinante sobre o assunto no Brasil. Os juristas fingem que a Lei é boa, aplicável e aplicada, a Justiça Eleitoral finge que a faz cumprir, os políticos esfregam as mãos de contentamento, e todos - Ministério Público inclusive - seguem a vida satisfeitos com a nossa modernidade e seriedade políticas, ficando todos satisfeitos. Está bom para todas as partes. É a cara do Brasil!



Escrito por Alan Souza às 09h25
[] [envie esta mensagem] []


 
   Pra votar prepare o bolso...

Reportagem do Uol Notícias deste domingo mostra que o carnaval no interior de São Paulo, uma pedida tradicional do paulistano, pode ficar meio salgado, graças aos inúmeros pedágios espalhados pelo estado.

Para ir pular carnaval na cidade de Panorama, a 687 km da capital, o paulistano irá desembolsar R$ 80,00, entre ida e volta, graças aos sete pedágios que encontrará no caminho. Mesmo opções de folia mais próxima vão onerar a viagem. Para ir a Tatuí (137 km da capital), o custo ida e volta sai a R$ 33,40, por três pedágios. Mesmo a vizinha Pirapora do Bom Jesus, a apenas 53 km da capital, consome R$ 16,80, em duas praças de pedágio.

O programa de privatização de rodovias é uma das faces mais vistosas (e criticadas) do governo José Serra em São Paulo. E ele ainda está na 1ª etapa. Segundo o governo as empresas concessionárias investiram 11 bilhões de reais em rodovias, liberando o Estado para investir em áreas como saúde, transporte e segurança. A julgar pelas notícias, o dinheiro que sobrou não chegou nessas áreas.

Por isso é preciso que o eleitor pense bem e veja que às vezes é preciso preparar o bolso, na hora de votar.

A reportagem na íntegra está aqui.



Escrito por Alan Souza às 09h54
[] [envie esta mensagem] []


 
  [ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]  
 
 



Meu perfil
BRASIL, Centro-Oeste, BRASILIA, Homem, de 36 a 45 anos, Portuguese, Spanish


HISTÓRICO


CATEGORIAS
Todas as mensagens
 Gato por Lebre
 Traduzindo
 Para Gostar de Vinho
 MST



OUTROS SITES
 Pensando Bem
 Amálgama
 Flanar
 Vi o Mundo - Luiz Carlos Azenha
 ONG Contas Abertas
 Blog do Alon
 5ª Emenda
 Blog do Protógenes
 Blog do Luis Nassif
 Falo Porque Tenho Boca
 Blog do Noblat
 Blog do Josias de Souza


VOTAÇÃO
 Dê uma nota para meu blog!